Contato moderno – Parte 01

25 05 2011

No mundo realmente virtual, o contato direto impõe-se mesmo contra a vontade.

O objetivo é o contato quase íntimo.

Espero críticas, sugestões, análises, discussões, comentários.

Precisamos de uma participação mais ativa.

As exposições feitas não são verdades absolutas.

Precisamos pensar juntos.

O espaço é virtualmente de vocês.

Sou meramente o mediador.

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Relacionamentos modernos – Parte 23

23 03 2011

 

Você ficou apaixonado por aquela pinta.
Não pelo conjunto no qual a pinta está inserida, o que seria o normal, mas somente por ela. Pela pinta em si. O resto é detalhe.
Aquela barriguinha perfeita não conta. O jeitinho delicado que ela segura os talheres também não. Pra você tanto faz, como tanto fez se ela torce pro seu time, se sabe cozinhar, se trabalha. Repito: pra você o que importa é a pinta. Apaixonou tá apaixonado. Já era !
Você não sabe explicar para seus amigos os motivos da nova paixão. Alguns até arriscam uma pergunta mais ousada e ouvem como resposta que a pinta que ela tem te fez cair de quatro. Enquanto alguns riem, gargalhando alto, outros sentem pena. Você deve estar maluco. Só pode estar. Como tem a cara de pau, de numa mesa de bar falar isso ? A culpa é daquele crápula do seu chefe que tem te prendido no escritório até altas horas.

Você está maluco !

O assunto continua até que o biruta da galera, digo, você, já não fala coisa com coisa. É só pinta pra cá, pinta pra lá, que alguns levantam sem pagar a conta e vão embora, deixando que a tal pinta pague a conta. As mulheres e filhos os chamam e eles tem mais o que fazer do que ouvir que a pinta que ela tem te fez cair de quatro.

Me poupe !

A situação diplomática está complicada, é guerra daqui, guerra dalí, e tsunamis, e terremotos, e enchentes. Você pede desculpas, mas não consegue fugir da pinta. Seu time está uma droga. O RH da sua empresa está num burburinho só, a dengue voltou com tudo, clonaram o seu cartão de crédito, … . Nada. Nada consegue desviar o seu foco da pinta.
E depois de ter sonhado com a porcaria da pinta a noite toda, você ainda consegue acordar e pensar nela.
Você está doente !
Os amigos que foram embora abruptamente ontem ligam na tentativa de saber se você está melhor. Você explica que não estava doente. Ah, mas está, garantem alguns. Outros deboxam novamente e desligam.
Você fez o check up anual, não fuma, só bebe socialmente, mantém uma dieta saudável. Não tem nada errado com você. Errada é aquela pinta, que milimetricamente te apaixonou, te deixou de quatro, zombou da sua capacidade de desapegar-se.
Pra você aquela pinta faz todo o sentido. Ou melhor, pra você a pinta é o sentido.
Seja feliz sem se importar com o julgamento alheio, afinal, enquanto uns riem e julgam, outros são felizes com as pequenas coisas.

E a pinta, literalmente, é uma delas.





Reflexões – Mundo

22 03 2011

Você já foi pressionado. Natural.
Já fui muitas vezes e ainda será outras tantas. Normal.
No entanto, a pressãozinha por uma nota melhorzinha aqui ou alí, por um relatório mais bem feito aqui ou acolá não se comparam à pressão afetiva.
O que acontece naturalmente no âmbito social, acontece friamente no emocional.
Se, de um lado, você despressiona, desafrouxa e segue com a vida, de outro você é esmagado, apertado e humilhado.
A pressão do coração traz o dedo em riste da sociedade, toca sua fronte, faz um julgamento sem critérios e te coloca uma etiqueta. Um rótulo barato.
A falsa privacidade marca uma entrevista coletiva da sua alma para que você explique-a ou pelo menos o tente fazer.
Que desaforo !
O mundo não quer saber seus verdadeiros motivos.
Se você já feriu ou foi ferido e por isso não compartilha a vida.
Ou se você simplesmente optou por fugir do clichê.
Ou se você não quer porque não quer e pronto.
O mundo não está nem aí.
O mundo quer preto no branco, quer sangue, sexo e notícias rasas.
E é exatamente aí que aquele rótulo se encaixa.
Nessa falsa necessidade por informações, que esbarram nas fofocas, tropeçam nas mentiras e topam com as manchetes de péssima qualidade.
Ninguém está realmente interessado nos seus sentimentos, medos, vontades, desejos.
O discurso romântico também não deve ser interpretado restritivamente.
O mundo precisa saber que você tem alma, tem motivos, tem muito a mostrar além de um simples rótulo.
Estado civil não define ninguém.
Aliás, nada define alguém.
Pessoas não são passíveis de definições.
Pessoas são conjuntos que, com milhares de peculiaridades formam um todo extremamente mutável.
E o mundo tem preguiça disso. Muita preguiça.
Pastilhas de vida são colocadas em copos para efervescerem enquanto o mundo faz outras coisas de múltiplas sortes.
Tenha calma mundo.
Porque enquanto suas notícias forem lidas pelas manchetes, suas mentiras ditas mil vezes tidas como verdade e suas pessoas forem selecionadas por rótulos, estaremos perdidos.
Me desculpe mundinho, mas, nesses casos, prefiro ficar offline.
Você deveria fazer o mesmo.





A volta – Parte II

22 03 2011

Desculpas.
Pelo tempo ausente.
Pela bagunça deixada.
Pela falta de satisfação.
Pelo sumir e ponto quase final.
Desculpas.
O tempo foi tão necessário quanto a bagunça.
A vida foi reorganizada, repensada, vista e revista.
As fases naturais implicam nestes acontecimentos pontuais.
Voltei.
Voltamos.
Desculpas.
Aceitas ou não, continuemos.
É importante.
Diria que muito, muitíssimo.





Reflexões – Amizade

17 08 2010

Seriam os amigos uns ET’s ?
Ou seriam, talvez, almas ultra taxativas ?
Ou, quem sabe,irmãos meticulosamente disfarçados por Deus ?
Nunca saberemos.
Ou saberemos um dia.
Por ora, é unânime que amigo é a personificação da força de vontade.
Ou que outro adjetivo cabe para caracterizar uma pessoa que te atende de madrugada ?
Bêbado, chato, falando daquela sem vergonha que te largou ?
Ou daquele canalha, cachorro, sem coração, que foi pra noite e não te avisou ?
Hein ?
E eles e elas falam mal também, xingam, acabam com a raça alheia pela sua defesa moral.
O amigo protege sua honra fantasiada.
São 4:37 da manhã !
E o pior: Não foi a primeira vez !
Outrora você já ligara outras, por outras e outros, mas não necessariamente em estado etílico avançado.
E a vez que ele ficou bêbado e você ainda teve de dar banho ?
Andando e vomitando, andando e vomitando, andando e vomitando.
Uma vergonha sem tamanho.
Tirando o vexame que deu na portaria.
Tsc, tsc, tsc …
E vergonha sem barulho, porque os seus pais estão dormindo, animal !
É.
Com exceção dos amigos, só as mães fazem isso.
E por vezes, amigos, nem elas.
Amigo segura a barra.
Amigo cede a cama, o quarto, a varanda, o banheiro, a cozinha, a geladeira.
Amigo empresta roupa, leva, troca, não devolve.
E você ri quando procura aquela blusa e não acha.
Ou aquela saia alta lindíssima que você sequer chegou a usar.
Amigo cede a vida.
Amigo coloca no colo.
Chora.
Junto, menos, mais, por dentro.
E mais do que chorar, amigo seca lágrima.
Vai pro bar, pede chopp, bate papo, joga conversa fora.
Amigo te desliga da tomada.
Conta piada e faz rir quando você pensava querer morrer.
E a lágrima de antes vira vingança com um plano mirabolante de agora.
Amigo é fantasia.
É sangue. É corpo. É alma.
E vai além, transcende, enobrece.
É dinheiro emprestado quando sua carteira ficou propositalmente em casa.
É conselhinho aqui, outro alí.
Amigo é sua luz quando você não pagou a conta.
É seu lar no despejo, sua consciência no desejo.
Amigo é chato.
É responsabilidade quando você é inconsequência.
Amigo corta a onda, traz de volta pro mundo.
Amigo te acorda pra vida.
Amigo bate quando você se faz de cego, surdo e mudo.
Mas você queria tanto …
Ele não deixou.
Ela te segurou.
Ela falou não, ficou agitando dedinho atrás negativamente.

Amizade é sentimento puro
Os erros devem ser esquecidos.
As posições debatidas.
A afinidade garantida.
Afinal, se é amigo, é amigo.





Relacionamentos modernos – Parte 22

11 08 2010

Sabe quando não é pra ser, mas você tem certeza que é sim ?
E você, de teimoso, vai adiante achando que pode driblar o destino ?
A teimosia vem de pequeno.
Ou você esqueceu das milhares de vezes que a sua mãe avisou ?
E avisou. E avisou. E avisou …
Você não ligou e fez.
Se encheu de confiança e foi mesmo.
Não ligou, esqueceu ou se mostrou valentão.
E se esburrachou todo.
Previsível.
Caiu, machucou, sangrou, chorou.
E foi correndo pro sábio conselho e que nunca mais iria fazer de novo.
Mas fez.
E ainda vai fazer.
Esse sentimento de vencer o invencível é natural.
Não existe nada mais gostoso do que esfregar na cara do mundo que você foi capaz.
O prognóstico tá alí pra ser dilacerado por essa teimosia enjaulada.
Vencer sem apoio dá um quê de superioridade.
Alcançar contrariando, valoriza.
E você quer porque quer.
No entanto, não poderemos vencer sempre.
Algumas vezes a sua alma gêmea não será tão univitelina assim.
Ela não vai ser tão bonita ao acordar e ele não vai ser tão cavalheiro no 114º encontro.
Seus sonhos e carreira não serão mais assuntos frequentes.
A pintinha que ela tinha no cantinho do lábio, antes um charme, vai adotar feições de bruxinha.
Nada mais será tão conto de fadas assim.
Nem você.
Nem ela.
Não adianta bater o pézinho e fazer cara de espanto, de que não sabia.
Você sabia sim.
Você foi avisado.
Não era pra ser.
E não foi mesmo.
Ela não era tão adorável assim.
Você não era tão gentleman assim também.
Deu.
Cansou.
Cansaram.
Amigos.
Amigos e ponto.
Como casal não vai, não rola, não bate, não te deixa sem ar.
Como casal não te dá perda total se você fosse um carro.
É assim mesmo.
É cruel mesmo.
Precisamos encontrar alguém pra preencher o nosso Regístro de Ocorrência da alma.
Enquanto não, são só “blitzes” falsas.





Reflexões – Halterofilismo emocional

10 08 2010

Fetais, estamos constantemente sob vigilância digna de pay per view.
Crescemos de lampejo e acumulando responsabilidades sortidas pelo caminho.
Somos empurrados pela ladeira da vida acima.
À força. Na marra.
Sem dó nem piedade.
Não temos o direito de um errinho aqui ou alí.
O mundo é cruel, injusto, feio, bobo e chato.
E então amadurecemos aos trancos e barrancos, com lágrimas, com dor, com perdas e danos.
Quando amadurecemos.
Sentimos na pele o tempo.
Passando, passando, passado.
Sentimos o tempo indo embora, perdido, sem que seja possível alcançá-lo de novo.
Nossos braços são curtos para o tempo e o sem vergonha é rápido que só.
Cultivamos desde sempre braços fortes, não largos.
Cultivamos, in natura, coinciência de que temos, necessariamente, de ser fortes.
De que temos de suportar tudo e todos.
De que a dor é fato certo e determinado e que a nós só cabe musculação emocional.
Haja academia !
E sob ótica cruel, lamentamos.
Choramos de novo.
Sentimos dor mais uma vez.
Olhamos impotentes para o nosso retrovisor interno e assistimos a um filminho.
Do que foi e não era pra ter sido.
Do que não era pra ter sido e foi.
Do que era certo.
Do que era errado.
Do que fez feliz e do que nem tanto assim.
Olhamos de novo.
Coçamos os olhos para crer verdadeiramente.
É.
Foi.
Passou.
E a gente aqui.
Paradão.
Achando que o tempo ia esperar …
Santa ingenuidade !
Mas, peraí.
Quem foi o responsável por cultivar estes benditos braços fortes senão você mesmo ?
Quem foi que disse que o exercício emocional é previsão legal ? Quem ?
Quem não se permitiu e fez carinha de emburrado ?
E quem virou as costas e não escutou aquela oportunidade ?
E o que dizer, então, do choro engolido para que o orgulho não fosse maculado ?
Quem se permitiu vigiar ?
Cresçamos com critérios, sejamos conduzidos pela ladeira da vida, vivamos.
E tomara que erremos.
Muito.
E que vejamos que o mundo é cruel sim. Que é bobo, feio e chato sim.
Mas que sejamos capazes de enxergar nele cores, momentos bons, pra cima.
Para que sejamos capazer de sugar o prazer que só a vida é capaz de nos proporcionar.
Para que não abaixemos nossas cabeças com tombos eventuais, com desgastes naturais.
Sejamos fortes e fracos
Somos capazes.
Confiemos em nós mesmos, uns nos outros.
Esse halterofilismo emocional desgasta. Por dentro e por fora.

Desculpe-me mundo cruel, mas eu prefiro você colorido.








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